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As relações Mercosul-UE

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A polêmica sobre os "subsídios agrícolas" é hoje o assunto de maior relevância política nas discussões entre a União Européia e o Mercosul. Essa questão ofusca os principais objetivos planejados no acordo de livre comércio. O foco principal de ação nas relações econômicas entre os dois mercados deve envolver, antes de tudo, as condições estruturais para os investimentos estrangeiros diretos.
Embora a Europa constitua o mercado doméstico da Basf, os investimentos realizados em países do Nafta, Ásia e América do Sul estão ganhando uma importância cada vez maior. Em 2002, 35% de nossos investimentos de € 2,5 bilhões em ativos fixos foram canalizados para regiões não-européias. Nos últimos 20 anos, a Basf investiu aproximadamente € 1 bilhão na América do Sul.

Nossa experiência tem mostrado que investimentos estrangeiros diretos representam a "máquina para o crescimento" de uma maneira muito mais ampla do que o comércio internacional de mercadorias. Contudo, a condição principal para sua ampliação é que os investimentos estrangeiros se beneficiem efetivamente de proteção garantida e fiquem livres de barreiras e entraves burocráticos na medida do possível. Os investimentos estrangeiros diretos nos dão a chance de aproveitar as "oportunidades da globalização" e ampliar as possibilidades de comércio com os mercados mundiais. No Brasil, as empresas estrangeiras têm uma participação de mais de 40% nas exportações, com o que ajudam a equilibrar a balança comercial.

A maioria dos setores no Mercosul ainda necessita de investimentos estrangeiros. O setor químico brasileiro registrou um déficit em sua balança comercial de US$ 6,5 bilhões em 2002. Há poucas fábricas para atender ao grande potencial de manufatura da região. Além disso, o bloco do Mercosul não conta com fábricas suficientes de padrão mundial em condições de produzir para a exportação.

Na concorrência internacional de hoje não são apenas as empresas que competem entre si, mas várias unidades de produção dentro de uma determinada empresa, país ou bloco econômico. Essas unidades competem por investimentos diretos, capital e conhecimento técnico. Nesse cenário, os países do Mercosul reúnem várias qualidades importantes para concorrer internacionalmente: mercados de grande porte, estabilidade política, ausência de conflitos religiosos ou étnicos, abundância de recursos naturais, mão-de-obra especializada com salários competitivos, além de uma infra-estrutura desenvolvida.

Sendo assim, ter um processo de integração consistente será um fator de sucesso para enfrentar a concorrência global por investimentos estrangeiros porque:

1) os mercados de grande crescimento são basicamente criados e desenvolvidos por meio da integração;
2) em um contexto global, empresas transnacionais planejam investimentos para grandes mercados integrados, com a estratégia orientada para plantas de escala mundial.
3) fornecer para mercados e exportação abertos na América do Sul torna os negócios mais resistentes à alta volatilidade do mercado local;
4) áreas econômicas de maior porte criam condições favoráveis para fazer uma profunda integração da produção;
5) com o aumento da produção local para abastecer um mercado de grande porte, as importações em moeda forte podem ser eliminadas, o que amorteceria o impacto negativo de uma crise;
6) reduz a vulnerabilidade da economia dos países do Mercosul aos choques externos por meio da cooperação econômica desenvolvida a partir de si e menos dependente das tendências de crescimento externas.

Os processos de integração da região do Mercosul e as áreas-alvo de livre comércio são de nosso interesse e recebem total apoio da Basf.

Além disso, apoiamos cinco "reivindicações" aos políticos:

1) o acordo de livre comércio entre a União Européia e o Mercosul deve ser concluído quanto antes;
2) a melhoria das condições estruturais para investimentos diretos deve estar no centro de todos os acordos de livre comércio com o Mercosul;
3) os investidores estrangeiros necessitam de um planejamento confiável para o futuro processo de integração e medidas de liberalização. Estas devem ser acordadas para não colocarem pressão indevida sobre as indústrias do Mercosul;
4) as mesmas condições e regulamentações devem ser aplicadas nas áreas de livre comércio - Mercosul, Nafta e UE, indiscriminadamente.

O processo contínuo de integração do Mercosul e as negociações de livre comércio ainda enfrentam muita resistência não apenas no Mercosul, mas dentro da própria União Européia.

Apesar disso, as oportunidades de incentivo à integração, como o Fórum Empresarial Mercosul e União Européia (MEBF), estão aí e superam eventuais riscos. Vamos aproveitar e dar um novo impulso para a América do Sul.
kicker: Investimentos estrangeiros diretos devem ser o foco da ação dos dois blocos (Rolf Dieter Acker - Presidente da Basf para a América do Sul.Maria Hel)

GAZETA/OPINIÃO - 5 de novembro de 2003