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Há espaço na negociação entre o Mercosul e a União Européia

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Mercosul e UE avançam em agricultura, diz empresário

Há espaço na negociação entre o Mercosul e a União Européia para se avançar na liberalização do comércio agrícola. A opinião é de Ingo Plöger, co-presidente do Fórum Empresarial Mercosul-UE (MEBF, na sigla em inglês). Para ganhar terreno nessa questão, porém, será preciso considerar as contrapartidas que o Mercosul poderá oferecer à UE, avalia Plöger. "O setor empresarial gostaria que a negociação entre os dois blocos fosse agilizada e vê com expectativa a reunião ministerial marcada para novembro em Bruxelas."

De 28 a 30 de outubro, o MEBF realizará, em Brasília, sua IV reunião plenária para avaliar a situação das negociações entre o Mercosul e a UE. Do encontro, sairá uma recomendação do setor privado para os negociadores do acordo birregional. São esperados em Brasília mais de 300 pessoas, entre empresários, representantes de governo e de organizações não governamentais (ONGs).

O presidente do governo espanhol, José María Aznar, confirmou presença na abertura das sessões plenárias do Mebf. O fórum reunirá pesos-pesados da indústria, como o CEO do grupo siderúrgico Arcelor, Guy Dollé (co-presidente do MEBF pela UE), o vice-presidente mundial da Siemens, Uriel Sharef, e o presidente da Repsol, Alfonso Cortina. Também estará presente no fórum o principal negociador europeu para o Mercosul-UE, Karl Falkenberg.

Plöger, que também integra o conselho de administração da Companhia Melhoramentos, diz que o fórum estará se antecipando à reunião ministerial dos dois blocos, em 12 de novembro, fazendo recomendações nos temas de acesso a mercados, investimentos e serviços. "A idéia é traduzir em documento único os anseios do setor empresarial do Mercosul e da Europa", diz Plöger.

As sugestões poderão ou não ser adotadas pelos negociadores, mas, segundo Plöger, na Cúpula birregional de 2002, em Madri, os diplomatas incorporaram aos textos oficiais a maioria das sugestões feitas pelo setor empresarial. Um dos pontos defendidos pelos empresários é a manutenção do critério de "desgravações assimétricas" no capítulo de acesso a mercados. Por esse critério, são fixados diferentes prazos para a redução das tarifas de importação.

O co-presidente do MEBF pelo Mercosul considera ainda que a reunião ministerial em Bruxelas será importante porque dará a oportunidade à UE de "olhar as pautas nas quais haverá espaço para prosseguir com a negociação".

Francisco Góes, Do Rio - Valor  Econômico - 23.10 - Nacional - Página A3