SCHERING











Política industrial para o setor automotivo

Divulgação

O Brasil poderia produzir pelo menos 50% a mais
Por Paulo Roberto R. Butori e Marco Tulio L. Rodrigues

Nos últimos dez anos os governos federal e estaduais atuaram junto à indústria automotiva em duas circunstâncias marcantes. A primeira, estimulando a demanda, foi o lançamento do carro popular, em que uma redução de impostos e margens permitiu significativa redução de preços e o conseqüente aumento de vendas.

A segunda, estimulando a oferta, foi o regime automotivo associado a programas especiais oferecidos por alguns estados, que combinando uma redução de impostos de importação e ICMS permitiu a instalação e o remodelamento de diversas fábricas, em vários estados.

Como resultado, o Brasil já produziu cerca de dois milhões de veículos por ano, quase o dobro do que produzia dez anos atrás, e tem uma capacidade instalada moderna, que poderia produzir pelo menos 50% a mais. O país cresceu em uma indústria estagnada mundialmente e produz em grande parte veículos próprios à demanda doméstica, com razoável desempenho de exportação.

Contudo, por não coordenar a política industrial, notadamente na etapa de expansão da oferta, o governo federal deu espaço para que os Estados concorressem por acordos isolados com os produtores, realizando concessões excessivas. Através da guerra fiscal, os Estados procuraram auferir alguma arrecadação e gerar alguns empregos, que de outra forma estariam em outra região.

As províncias e o governo nacional argentinos promoveram esforços análogos, com concessões ainda maiores, envolvendo os mesmos produtores. Todos se posicionaram para atender o Mercosul, cuja demanda baseia-se em mais de 75% no Brasil.
Esses movimentos, aliados a uma situação econômica inibidora da demanda, resultaram num excesso de oferta, pulverizado em demasiado número de modelos e fábricas e, portanto, num grave problema de escala.

Leia matéria na íntegra no Jornal Valor Econômico (acesso à assinantes)

Paulo Roberto Rodrigues Butori é presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).
Marco Tulio Leite Rodrigues é diretor do Sindipeças e presidente da Tradecom do Brasil.