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Gazeta Mercantil
Quarta-feira, 23 de Maio de 2007     10:48
UE quer elevar status do Brasil na AL
Brasília, 22 de Maio de 2007 - Parceria estratégica proposta por Portugal colocará País como principal interlocutor na região. A União Européia (UE) e o Brasil devem assinar no dia 4 de julho um memorando de entendimento com as linhas gerais de um acordo que elevará o Brasil ao patamar de "parceiro estratégico" do bloco europeu.

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Brasília, 22 de Maio de 2007 - Parceria estratégica proposta por Portugal colocará País como principal interlocutor na região. A União Européia (UE) e o Brasil devem assinar no dia 4 de julho um memorando de entendimento com as linhas gerais de um acordo que elevará o Brasil ao patamar de "parceiro estratégico" do bloco europeu. Com tal status, só concedido até agora pelos europeus aos Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Japão e Índia, o Brasil obterá um canal de diálogo privilegiado com os países do Velho Mundo. E será considerado o principal interlocutor na América Latina.
O texto do memorando já está nas mãos da Comissão Européia - o Executivo da UE - e é aguardado pelo governo brasileiro. A iniciativa é de Portugal, que exercerá a presidência temporária da UE entre julho e dezembro.
O governo brasileiro e o empresariado consideram a parceria estratégica bem-vinda. Conselheiro do Fórum Empresarial Mercosul-União Européia, Ingo Plöger disse que, na prática, europeus e o governo brasileiro podem começar a adotar uma série de políticas que beneficiem a atividade do empresariado. Cita como exemplos uma eventual retomada das negociações comerciais entre Mercosul e UE e a adoção do etanol pelos europeus.
Segundo o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, o acordo representará o retorno da América Latina ao primeiro plano da agenda internacional da UE. A região havia sido colocada à margem em razão da paralisação das negociações entre os países do Mercosul e o bloco europeu. A intenção da UE era assinar um acordo de livre comércio com o Mercosul antes de partir para o estreitamento do diálogo político com os países sul-americanos.
Com o passar dos anos, entretanto, disse o diplomata, a inserção do Brasil no cenário internacional aumentou de forma significativa. Com a parceria estratégica, complementou Seixas da Costa, evita-se que o relacionamento entre a América Latina e a UE fique refém da política agrícola européia e das delicadas questões internas do bloco sul-americano. "Pensamos que dar um papel central ao Brasil nesse relacionamento é fazer com que a UE volte a olhar para a América do Sul", disse o embaixador português.
"O Brasil tem dimensão, escala e estabilidade que nenhum outro país da América Latina tem. Quando digo América Latina, refiro-me desde a fronteira sul dos Estados Unidos até o Sul do continente".
Seixas da Costa explicou que em julho ocorrerá o lançamento da parceria. Os países passarão então a negociar os detalhes do acordo. O embaixador português negou, entretanto, que o processo possa ser cancelado por pressão de parte dos membros da UE que tenham interesses comerciais divergentes aos das posições brasileiras. Disse que a Comissão Européia já optou pela parceria, decisão considerada irreversível. Argumentou ainda que os países que têm maior peso na UE são favoráveis ao projeto.
Para o embaixador Everton Vieira Vargas, subsecretário geral político do Ministério das Relações Exteriores, a obtenção da parceria estratégica com os europeus proporcionará a abordagem de assuntos que contenham divergências entre as partes num ambiente de "diálogo mais estruturado".
"A parceria estratégica representa a elevação do patamar das relações. Implica num diálogo direto e com o maior nível político", disse Vargas.
O diplomata brasileiro disse achar que a parceria pode impulsionar uma maior aproximação de empresários e da ampliação do fluxo de investimentos entre o Brasil e os países do bloco europeu. Vargas negou ainda que a assinatura do memorando possa gerar constrangimentos com os demais países do Mercosul - Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. "Os nossos parceiros do Mercosul sabem que o Brasil leva em conta os interesses deles nas negociações multilaterais e nas feitas em outros foros também", comentou o subsecretário político do Itamaraty. "Espero que as negociações entre a União Européia e o Mercosul ganhem impulso político, mas é preciso superar algumas dificuldades".
De acordo com o embaixador português, as áreas a serem exploradas com maior profundidade serão biocombustíveis, aquecimento global, tecnologia da informação e comunicação, transporte aéreo e marítimo e a participação do Brasil no Galileo, programa europeu de localização via satélite concorrente do norte-americano GPS. Além disso, complementou Seixas da Costa, a parceria incentivará o intercâmbio entre universidades e empresários. Estabelecerá também uma agenda mais intensa de reuniões entre técnicos e o presidente brasileiro e o presidente ou o primeiro-ministro do país que estiver presidindo a UE.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)(Fernando Exman)