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Gazeta Mercantil
Nacional
No ano da Copa, eventos buscam atrair investidor
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São Paulo, 7 de Fevereiro de 2006 - Alvo de discussões no Fórum Econômico Mundial, realizado no mês passado em Davos, na Suíça, a questão do fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, em comparação com seus pares do Bric (grupo de países emergentes considerados de maior atração para o investimento estrangeiro, que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia e China) chegou à Alemanha, em meio a uma série de eventos que buscam aproveitar o interesse que o País desperta no ano da Copa do Mundo de Futebol.
Os eventos bilaterais começaram já no mês passado e devem prosseguir até depois da copa, no segundo semestre. No final do mês passado um encontro sobre investimentos em infra-estrutura, com especial atenção a parcerias público-privadas (PPP) e concessões rodoviárias nos dois países foi seguido de um simpósio exclusivo para investidores alemães, organizado pela Deloitte, com o apoio da BDI, Confederação das Indústrias da Alemanha. No dia 15 deste mês será a vez do agribusiness e, em maio, do setor automotivo, num evento agendado para a cidade de Stuttgart.
Em julho deve acontecer o Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2006 - Parceiros em uma Economia Globalizada, seminário que deve reunir representantes dos dois governos e líderes do setor produtivo, em meio às partidas finais da Copa: os trabalhos começam no dia 8, continuam no dia 9 até a hora do jogo final, e continuam nos próximos dois dias. Os principais painéis estão previstos para o dia 10, para quando são esperados, entre outros, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antonio Monteiro Neto. Não está descartada a ida do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
A questão do crescimento econômico apareceu com maior evidência no evento da Deloitte. Segundo o empresário Ingo Plöger, presidente do Conselho Integrado das Câmaras Alemãs no Brasil e um dos palestrantes, foram dois dias de debates, alguns intensos, sobretudo quando se colocou em pauta os números de crescimento da China (9,9%), Índia (7%) e Rússia (6,4%) em 2005, robustos o suficiente para encher os olhos dos investidores, principalmente quando comparados aos do Brasil (2,5%).
Apesar dos números, segundo Plöger, os empresários alemães "são bastante sensíveis" aos pontos considerados vantajosos para o Brasil, como o forte desempenho da balança comercial, sobretudo, com o crescimento das vendas brasileiras para os países-membros da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) que, em 2005, superaram as dos EUA. Ainda segundo Plöger, tais informações fizeram com que investidores alemães na área de consumo de bens semiduráveis repusessem seus interesses no Brasil como plataforma exportadora para a América Latina.
Outras questões importantes, a favor dos brasileiros, seria o menor risco brasileiro diante dos demais Brics, como garantias da propriedade intelectual, liberdade comercial, segurança patrimonial e o quadro legal. Ao final do encontro, informa o empresário, "muitas empresas demonstraram que não deixarão de investir na China e na Rússia, porém vão iniciar prospecções no Brasil para aumentar sua internacionalização e detectar oportunidades de produção". A Deloitte deverá organizar outro evento bilateral em setembro próximo.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Sandra Nascimento)
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