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Brasil amplia espaço nos novos...
São Paulo, 13 de Janeiro de 2006 - Alves alerta que é importante verificar o que está acontecendo com o perfil exportador brasileiro. E diz que a estratégia de conquistar novos mercados abre a polêmica sobre se haveria prejuízo no desempenho junto aos mercados tradicionais. "Os mercados tradicionais são maiores e mais estáveis. Já os novos são importantes para ampliar o volume de comércio, consequentemente renda e bem estar", diz. A participação das exportações brasileiras de manufaturados no total exportado cresceu de 54,7% em 2002 para 55,1% em 2005, e a de básicos, de 28,1% para 29,3%. Já as vendas de semimanufaturados perderam participação, passando de 14,9% para 13,5%.
No ano passado, o recorde de US$$ 118,309 bilhões em exportações foi alavancado principalmente por vendas de produtos manufaturados, que somaram US$$ 65,145 bilhões.
A União Européia mantém a liderança como principal parceiro comercial do Brasil ao adquirir o equivalente a US$$ 26,5 bilhões do País em 2005, ou 22,4% do total. Os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) elevaram sua participação nas exportações do Brasil para 21,5% em 2005.
Para o ex-coordenador da Unidade de Investimento da Apex e empresário, Ingo Ploger, a estratégia do governo brasileiro é "atingir novos mercados, com novos produtos". Segundo ele, é natural o País começar com a venda de commodities, ampliar o comércio com produtos manufaturados e evoluir para a troca de investimentos. "O aumento dos investimentos é conseqüência da ampliação do comércio exterior", afirma Ploger.
O empresário destaca que os chamados BRIC são hoje o grande alvo dos investidores por terem passado por importantes reformas estruturais na década de 90. Mas o Brasil apresenta, segundo ele, algumas vantagens em relação aos outros três grandes mercados do grupo de países. "O Brasil é a economia mais aberta e mais diversificada entre os BRIC", afirma Ploger, que vê com naturalidade a cooperação entre os quatro países.
Câmbio "contornável"
Alves considera o câmbio um problema contornável no médio prazo e que os exportadores são mais prejudicados pela carga tributária elevada e por deficiências nos marcos regulatórios. Segundo ele, estes são os problemas que precisam ser solucionados para que o Brasil amplie substancialmente sua participação no comércio mundial. Castro concorda: "a participação do Brasil ainda é pequena no comércio mundial, tanto nos mercados tradicionais quanto nos novos".
"Precisamos nos tornar parceiros importantes para os países desenvolvidos, como fizeram a China e a Índia, e indiretamente ganharemos novos mercados", avalia Alves, que considera correta a estratégia de ampliar a base exportadora. "Também não podemos ser como México e Canadá, onde a maior parte das exportações é dirigida para os Estados Unidos. O Brasil está geograficamente afastado e por isso é importante diversificar destinos."
Segundo Castro, o crescimento mais lento das exportações brasileiras para mercados tradicionais não está relacionado ao esforço para conquistar novos mercados. "Mesmo porque não se troca o certo pelo duvidoso", diz. O Brasil está, segundo ele, buscando países com potencial de compra até então não aproveitado, mas "se o País passará a exportar manufaturados para os novos mercados, só o futuro dirá".
O executivo da AEB aponta o câmbio como um fator adverso que retarda este processo, uma vez que tira competitividade dos manufaturados brasileiros.
Países árabes
A ampliação da pauta para produtos com maior agregado, como veículos, motores, aviões, calçados e máquinas agrícolas faz parte da evolução das relações comerciais entre Brasil e países árabes. As 22 nações que compõem a Liga Árabe ocupam juntas a quinta colocação - respondendo por 4,4% do total exportado pelo Brasil - entre os maiores destinos das exportações brasileiras, atrás dos EUA, Argentina, China e Holanda.
No ano passado, a corrente de comércio entre o Brasil e os países árabes atingiu US$$ 10,5 bilhões, uma alta de 28,3% frente aos US$$ 8,2 bilhões de 2004, superando as previsões de crescimento de 13% da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. As exportações cresceram 29% para US$$ 5,2 bilhões e as importações aumentaram 28% para US$$ 5,3 bilhões, mantendo o equilíbrio da balança comercial pelo terceiro ano consecutivo.
"Para 2006, com o preço do petróleo estável, as importações brasileiras dos países árabes devem ficar praticamente estáveis. Já as exportações devem crescer 20% ", afirma o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. Caso se confirme a sua expectativa para 2006, segundo Sarkis, a balança comercial continuará equilibrada, só que desta vez ligeiramente favorável ao Brasil.
Cerca de 66% das exportações brasileiras para os árabes estão relacionadas ao agronegócio, sendo 34% das exportações do segmento referentes a açúcar e 23% carne bovina. Do lado das importações, 92% diz respeito a petróleo. E foi a elevação dos preços do petróleo que promoveram o aumento das importações brasileiras dos países árabes no ano passado.
A previsão apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, na Cúpula América do Sul-Países Árabes realizada em Brasília em maio de 2005, foi atingir US$$ 15 bilhões de corrente de comércio até 2007. "Nos estudos iniciais para a realização da cúpula trabalhamos com a expectativa de dobrar o fluxo comercial em cinco anos, passando de US$$ 8 bilhões em 2004 para US$$ 16 bilhões em 2009. Apesar dos contratempos com o câmbio, a meta de Furlan é factível."
O comércio do Brasil como os próprios países árabes também passa por um processo de diversificação. Do total exportado pelo Brasil para os países árabes, a Árabia Saudita mais uma vez respondeu pela maior parte das vendas, com US$$ 1,2 bilhão. Mas alguns países apresentaram grande crescimento, apesar do volume ainda reduzido. As vendas do Brasil para o Catar aumentaram 180%; para a Líbia, 83%; para o Iêmen 52%; para o Kuwait e Comores (50%), além do Sudão (42%).
O principal item da pauta de exportações brasileiras para o Catar, com 26,48% do total, são chassis com motor, um bem manufaturado diferentemente dos demais novos mercados que geralmente começam comprando em maior quantidade os produtos básicos do Brasil.
Na contramão
Apesar das exportações brasileiras para a África (excluindo o Oriente Médio) terem crescido 40% em 2005 na comparação com o ano anterior, a Smartrust Export Solutions exportou US$$ 25 milhões em 2003; US$$ 20 milhões em 2004 e US$$ 21 milhões em 2005, segundo Hercílio Cosenza Arlota, principal acionista da exportadora.
A empresa figura entre as dez maiores exportadoras para Angola, mercado em que atua há seis anos e representa 90% dos negócios da Smartrust. Os principais produtos comercializados são veículos, peças de reposição e material de construção. Arlota apontou o câmbio desfavorável e a concorrência chinesa como principais obstáculos para crescimento das exportação para Angola. "Além disso, o governo não conseguiu desburocratizar as exportações nem melhorar a infra-estrutura."
Cerca de 10% dos negócios da exportadora são com a América do Sul, região na qual a empresa pretende focar, "aproveitando um vácuo que existe no mercado e o bom desempenho das montadoras", de acordo com Arlota. O objetivo para 2006 é ampliar em 20% os negócios com a América do Sul, sem abandonar o mercado africano.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4) (Cristina Borges Guimarães)
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