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GAZETA MERCANTIL- 10.07.06
Encontro econômico visa reduzir déficit comercial
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São Paulo, 10 de Julho de 2006 - Intercâmbio cresce acima da média da UE e há vários acordos em vias de negociação. O Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Berlim, na Alemanha, – iniciado no sábado e que termina amanhã – pode trazer resultados importantes para o País. De acordo com Ingo Plöger, presidente da IP Consultoria, deve haver a renovação e prolongação da iniciativa para investimentos em infra-estrutura e energia entre os dois países e a assinatura de um memorando de entendimento para ajuda alemã na disputa do Brasil como país sede da Copa do Mundo de 2014. "Outro assunto bastante adiantado é a definição de uma classificação especial para produtos orgânicos nas pautas de importação e exportação que tem sido negociada pela Camex (Câmara de Comércio Exterior)", diz Plöger.
Segundo ele, com a criação da nova categoria seria possível ter dados específicos, que ajudarão na elaboração de políticas direcionadas para a produção de orgânicos. Além de comércio bilateral e investimentos, o encontro terá como temas centrais inovação, bioenergia, agronegócio e infra-estrutura energética.
Para Plöger, a retomada das negociações do acordo não concluído entre a União Européia (UE) e o Mercosul, assim como avanços na rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC) são de grande interesse do empresariado alemão. Esses serão os principais temas de trabalho da XXXIII Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha. A retomada do acordo de bitributação – iniciado em 1975 e suspenso no início deste ano – entre o Brasil e a Alemanha e um novo acordo de energia também serão negociados.
Estão previstas ainda reuniões setoriais paralelas nas áreas automotiva, de máquinas e equipamentos e automação industrial. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, participa hoje e amanhã do encontro, que contará com a presença de aproximadamente 500 empresários brasileiros e alemães para discutir os temas de cooperação, visando aumentar o intercâmbio comercial entre os dois países. O evento é organizado pelas Confederações da Indústria Alemã e do Brasil (BDI e CNI, respectivamente) e pelos dois governos.
O Brasil registra seguidos déficits com a Alemanha desde 1993. Só no ano passado, o saldo negativo brasileiro com este país foi de US$ 1,12 bilhão, resultado de exportações de US$ 5,02 bilhões e importações de US$ 6,14 bilhões. Apesar de mantido o déficit, as exportações para a Alemanha saltaram 178,9% em 12 anos – de US$ 1,81 bilhão, em 1993, para US$ 5,02 bilhões no ano passado. A corrente de comércio (exportações somadas a importações) também teve aumento considerável (175,8%), passando de US$ 4,05 bilhões, em 1993, para US$ 11,17 bilhões no ano passado.
Acima da média européia
"O comércio entre Brasil e Alemanha passa por uma boa fase e o crescimento registrado entre o ano passado e o anterior ficou em torno de 25%, acima da média de 9% registrada entre o País e os demais integrantes da UE", diz Plöger. Ele destaca que apesar de o déficit ter se mantido praticamente estável em torno de US$ 1 bilhão, com a ampliação de quase US$ 2 bilhões na corrente de comércio, o seu valor relativo caiu (ver gráfico).
Plöger ainda lembra o ganho recente de valor agregado da pauta de exportações brasileiras para aquele país. "A despeito do câmbio, a Alemanha é o primeiro país depois da Itália a compra do Brasil veículos classe mundial, o Fox da Volkswagen. O carro está pegando por lá e está ajudando a ampliar o valor agregado da pauta de exportações brasileira", diz ele, destacando ainda a retomada dos investimentos estrangeiros diretos da Alemanha no Brasil por meio de empresas como a Continental e a ThyssenKrupp.
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