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Maior acesso do Mercosul ao mercado europeu exige pressão sobre governos

Valor Econômico - 17 de Setembro de 2007

Se quiserem incrementar o comércio entre Mercosul e União Européia, os empresários têm que pressionar os governos para avançar em temas específicos, independentemente das negociações. 

A discussão para um acordo de livre comércio entre os dois blocos está travada e os europeus já deixaram claro que vão priorizar a Ásia. Essas são as principais conclusões de uma série de estudos realizada pela Escola de Ciências Políticas de Paris (Sciences Po), com o apoio do Fórum Empresarial Mercosul - UE e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. 

"Queremos descobrir o que os empresários podem propor para aumentar o comércio sem esperar pelas negociações formais", diz Alfredo Valadão, diretor da cátedra Mercosul da Sciences Po. Empresários, diplomatas e acadêmicos se reúnem hoje na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) para discutir o acesso ao mercado europeu e o setor de serviços. O objetivo é formular propostas a serem apresentadas aos governos durante a cúpula União Européia-Mercosul, que acontece no início de outubro, em Lisboa. 

Para Valadão, a negociação entre os dois blocos aguarda o desfecho da Rodada Doha, da OMC, principalmente das questões agrícolas. Além do Mercosul, a UE está negociando acordos de livre comércio com Índia, Coréia do Sul e os países da Asean. "Os recursos humanos para cuidar dessas negociações são limitados", diz. 

Ele ressalta que, nas negociações com a Ásia, os europeus não enfrentam a mesma resistência dos lobbies agrícolas, que não querem um acordo com o Mercosul. Valadão avalia que até mesmo os países andinos e da América Central podem concluir mais rapidamente um acordo com a UE do que o Mercosul. "São acordos mais simples, que já foram fechados pelos EUA", diz. 

Para Mário Marconini, presidente do conselho de relações internacionais da Fecomercio, "a agenda brasileira está dominada pelas negociações e esquece que existe o mundo real". Ele afirma que apresentar propostas concretas é a melhor maneira de saber se o desejo dos europeus de fechar um acordo com o Mercosul é apenas um "blefe". 

Em serviços, Marconini afirma que algumas medidas poderiam ter impacto mais relevante do que as negociações comerciais. Ele cita como exemplo um acordo de reconhecimento mútuo de regulação bancária entre Mercosul e UE ou adoção das normas similares no setor de construção civil. (RL)