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Senador pede adiamento de votação sobre Venezuela

Agência EFE - 5 de julho de 2007

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) pediu, nesta quinta-feira, o adiamento por três meses da votação sobre a entrada da Venezuela no Mercosul. O prazo proposto por Peres é o mesmo do ultimato dado aos congressos do Brasil e do Paraguai pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Na terça-feira, Chávez reclamou da demora, nos dois países, dos trâmites parlamentares necessários para a adesão da Venezuela ao bloco.


"Seria extremamente humilhante discutir o protocolo de adesão dentro do prazo fixado pelo tenente-coronel Chávez", disse Peres. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) apoiou a proposta e atribuiu o "ultimato" do presidente venezuelano à "formação autoritária" que Chávez teria.


O protocolo de adesão da Venezuela, enviado pelo governo federal ao Congresso em fevereiro, ainda deve ser analisado pelas comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado. Se for aprovado pelas duas comissões, ainda deverá ir a Plenário em cada uma das Casas.


O Congresso brasileiro entra em recesso no dia 18 de julho e só volta a funcionar em 1º de agosto. Por isso, Jarbas disse que será "muito difícil" cumprir os trâmites no prazo dado por Chávez.


Segundo o senador EduardoSuplicy (PT-SP), antes de discutir o protocolo de adesão seria "conveniente" uma reunião entre parlamentares dos dois países, para esclarecer as polêmicas surgidas recentemente por declarações de Chávez em relação ao Brasil.
Os problemas começaram com uma moção do Senado brasileiro solicitando a Chávez a revisão da decisão de não renovar a concessão do canal Radio Caracas Televisión (RCTV). Chávez reagiu chamando o Senado brasileiro de "papagaio que repete o que Washington diz". O Itamaraty chegou a convocar o embaixador venezuelano para dar "explicações pertinentes".


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em uma viagem oficial na Europa, foi consultado na véspera sobre o prazo dado por Chávez ao Congresso e disse que o Mercosul tem regras e tempos. "Para entrar há regras, mas para sair não as há. Se alguém não quiser ficar, não fica", disse Lula. O presidente afirmou que deseja conversar com Chávez para "saber o que está acontecendo".