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Inovação ganha destaque em encontro
Gazeta Mercantil - 5 de julho de 2007
Plöger vê com bons olhos início das negociações de uma agenda comum entre bancos de fomento. O campo da inovação tecnológica pode ser o mais favorável ao desenvolvimento de parcerias estratégicas a serem fechadas entre o Brasil e a União Européia. A avaliação foi feita por Ingo Plöger, presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional, que participa da I Reunião de Cúpula União Européia-Brasil, que começou ontem em Lisboa. O encontro segue hoje em Bruxelas e amanhã, em Luxemburgo.
Plöger destacou as negociações iniciadas ontem entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e o Banco Europeu de Investimento (BEI) em torno de uma agenda comum. As discussões vão seguir até o final do encontro, na sexta-feira.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o BEI pode ser uma das alternativas de complementação de funding do banco brasileiro. "A agenda com o BEI pode abranger desde financiamento ao BNDES até a coordenação de investimentos por europeus no Brasil", disse Coutinho, destacando que a instituição européia tem um volume de ativos e uma escala de operações muito altos e faz todo tipo de operação, desde financiamento de infra-estrutura e meio ambiente até desenvolvimento social e inovação tecnológica. "Tem um perfil muito próximo ao do BNDES e inexplicavelmente a relação entre os dois bancos é praticamente inexistente. Há apenas um contrato de US$ 50 milhões."
O primeiro dia foi marcado pela apresentação de uma pauta ampla. Empresários e representantes governamentais discutiram desde os rumos das negociações multilaterais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), sobre as possibilidades de um acordo de parceria estratégica entre a União Européia (UE) e o Brasil, investimentos, infra-estrutura e Parcerias Público Privadas (PPP), até competitividade, energia e mudanças climáticas.
A reunião de hoje terá a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Amanhã, técnicos dos dois bancos irão aprofundar o que for acertado em Bruxelas.
Pouco antes de selar a aliança estratégica com a UE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou os empresários europeus a investir no Brasil, sobretudo em infra-estrutura de serviços públicos e biocombustíveis. Segundo Plöger, a assinatura do acordo de aliança estratégica consolida a crescente influência do Brasil na América do Sul, garantindo aos europeus um sócio de peso na região onde querem conquistar espaço. A medida também abre uma nova etapa de diálogo que permitirá promover as relações da UE com o Mercosul.
Contribuição para Doha
Nessa linha, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, afirmou que um acordo comercial entre o Brasil e a UE contribuirá para o sucesso nas negociações da Rodada de Doha. Mandelson se reuniu ontem durante duas horas em Lisboa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O comissário considerou que as negociações da Rodada de Doha são cruciais para o Brasil. "Os resultados são cruciais para vocês no Brasil; à revelia de um acordo no seio da OMC, seus parceiros comerciais tentarão colocar barreiras contra as economias emergentes, em rápido crescimento, como a de vocês", comentou.
PPP em destaque
Ainda ontem foi realizada mesa redonda de CEO’s e também um encontro com líderes políticos para apresentar as conclusões dos empresários ao presidente Lula, ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e ao presidente da União Européia, João Manuel Durão Barroso. O setor privado europeu e brasileiro defendeu que as PPP e as concessões públicas tenham papel importante no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Plano de Desenvolvimento da UE.
A recomendação consta de uma declaração conjunta assinada por entidades empresariais européias, portuguesas e brasileiras, que foi entregue a Lula e a José Sócrates ainda no primeiro dia da cúpula de Lisboa. Também o tema da energia é focado no documento final assinado pelos empresários, em particular a necessidade de se criar normas para os biocombustíveis e abertura de mercados. Em relação à Rodada de Doha da OMC, foi pedido o empenho de UE e Brasil para uma conclusão "ambiciosa" até final deste ano.
Amanhã, terá início a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis e o Seminário "Brasil e Europa: Fronteiras do Futuro", na Sede do Parlamento Europeu em Bruxelas. Além do presidente Lula e de Durão Barroso, estão previstas as participações do presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Poettering, do ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D’Alema, do assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia, do Comissário de Comércio, Peter Mandelson, e dos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e Dilma Rousseff.
O comércio entre a UE e o Brasil chegou a quase US$ 60 bilhões no ano passado, segundo a CE. Os intercâmbios com a Europa estão em alta constante desde 2003, ano em que alcançaram o valor de US$ 42,5 bilhões em bens e serviços. Entre 2003 e 2006, estas trocas cresceram 40,7%. O Brasil era em 2005 o 11 sócio econômico da UE, segundo um relatório da agência de estatísticas européia Eurostat publicado em setembro de 2006. As matérias-primas, a maioria bens agrícolas, representavam em 2005 um total de 63,2% das exportações brasileiras para a UE. Por outro lado, 88% dos bens europeus comprados pelo Brasil eram produtos manufaturados. Mais da metade (53%) destes produtos são equipamentos industriais e de transporte e 20% são produtos químicos.
Além disso, o Brasil é um importante destino dos investimentos estrangeiros dos países da UE, com um valor estimado de US$ 109 bilhões em 2007. Telecomunicações, energia, serviços financeiros, assim como as indústrias automobilística e agroalimentar são os principais setores que atraem investidores.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Cristina Borges Guimarães, com agências)
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