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EUA: Venezuela atrapalha acordo com Mercosul
A Tarde Online - 12 de julho de 2007
Os Estados Unidos sinalizaram ontem que um possível acordo comercial com o Mercosul dependerá da exclusão da Venezuela do grupo de sócios plenos do bloco. A mensagem foi trazida a Brasília pelo subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, que se encontrou com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Cuidadoso, Burns traduziu esse recado para a imprensa ao afirmar que as agendas de Washington e de todos os demais países da América do Sul não coincidem com a "política do medo" do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
"A agenda dos Estados Unidos, do Brasil, da Argentina, do Chile, do Peru, do Equador, da Bolívia, do Uruguai e do Paraguai é da democracia, da justiça social, da imigração, da redução da pobreza e do comércio", afirmou Burns. "Nós todos não seguimos a política do medo e da divisão. Os desafios da política do presidente Chávez são diferentes", completou, ao ser questionado se a presença da Venezuela poderia inviabilizar um possível acordo comercial entre os Estados Unidos e o Mercosul.
Minutos depois, ao discursar no em um seminário internacional voltado a discutir como promover a inovação e a produtividade econômica, Burns mencionou a "comunista" Cuba e a Venezuela como as duas exceções em uma América Latina comprometida com a democracia. Nesse ponto, resvalou em um tema nevrálgico para o Mercosul, mas encoberto várias vezes pelo Brasil e seus sócios - a necessidade de os novos membros plenos do bloco cumprirem com a Cláusula Democrática. Apesar da cautela ao abordar diretamente a Venezuela, Burns enfatizou que a "atmosfera democrática sempre motiva as relações comerciais".
"Temos grande interesse em trabalhar junto ao Mercosul", afirmou Burns. "Percebemos que o Mercosul tem um papel significativo como área econômica e temos de ver a melhor maneira de mover as nossas relações comerciais", acudiu Thomas Shannon, subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental.
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