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Bunge planeja compras adicionais de trigo na América do Norte

Reuters - 12 de julho de 2007

SÃO PAULO (Reuters) - A Bunge Alimentos, maior processadora de trigo da América Latina, informou que planeja adquirir volumes adicionais do cereal nos Estados Unidos ou no Canadá, considerando a baixa oferta atual no tradicional fornecedor do Brasil, a Argentina, que se encontra na entressafra.

"Sim, está em nosso planejamento a aquisição de volumes adicionais de trigo do hemisfério norte", informou a empresa, ao ser questionada pela Reuters, em uma entrevista por e-mail.

A Bunge Alimentos processa no Brasil cerca de 2 milhões de toneladas de trigo por ano, ou cerca de 20 por cento do total consumido anualmente pelo país --a maior parte do produto moído pela companhia é comprado no exterior.

O trigo adquirido no hemisfério norte sai mais caro para as empresas brasileiras, pois o produto da Argentina, parceiro comercial do Brasil no Mercosul, vem isento de tarifas.

"A pressão de aumento nos custos pode ser suportada até um determinado limite a partir do qual torna-se necessário repassar os aumentos para o mercado. Essa situação de aumento de custos afetou ao mundo todo, e infelizmente teremos que conviver com essa nova realidade de preços altos", acrescentou a Bunge.

A baixa oferta na argentina ocorre em um momento em que os preços do trigo no mercado internacional estão próximos dos maiores valores em 11 anos, em função de estoques reduzidos no mundo e quebras de safras em alguns países.

Além disso, o Brasil, que também está na entressafra, está sendo obrigado a importar mais trigo este ano em função da quebra na produção de 2006.

"A Bunge tem procurado, dentro desse contexto altista de mercado, trabalhar com as melhores opções de compras e fornecedores, sempre mantendo o compromisso com o nosso cliente, a fim de atendê-lo com o custo mais competitivo", disse a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa.

A Bunge informou ainda que "essa atual crise de oferta no trigo, acabou impactando os custos dos moinhos, em função de uma política tributária distorcida entre Brasil e Argentina".

"Torna-se inevitável que toda a cadeia do trigo esteja trabalhando em conjunto com seus clientes para encontrarem uma melhor maneira de minimizar os reflexos dessa alta nos preços do trigo."

TARIFAS, COMPRA NOS EUA

Nesta quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou a venda de 50 mil toneladas de trigo vermelho duro de inverno ao Brasil, um volume que se soma a 25 mil toneladas registradas na semana passada. O USDA não informa o comprador.

O Brasil não adquire volumes significativos de trigo dos EUA desde a safra 2003/04, quando comprou 422 mil toneladas do cereal duro de inverno e 54 mil toneladas de trigo "soft".

No mês passado, a Canadian Wheat Board (CWB) informou que moinhos brasileiros compraram pelo menos 80 mil toneladas de trigo, negócio esse que também só costuma ser registrado, em tais volumes, quando há escassez no país vizinhos.

Segundo uma fonte do mercado, o Brasil já contratou compras no hemisfério norte de 450 mil toneladas.

Isso indica que, apesar das taxas para compras fora do Mercosul, os moinhos estão sendo obrigados a buscar o produto em origens não-tradicionais.


Prevendo a escassez de trigo na Argentina, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), desde o início do ano, tem alertado o governo brasileiro sobre a necessidade de redução da Tarifa Externa Comum (TEC) de 10 por cento para importações efetuadas fora do Mercosul, para que as empresas nacionais possam buscar o produto a custos mais reduzidos no hemisfério norte, pedido que até o momento foi ignorado.


A compra de trigo norte-americano da semana passada, por exemplo, segundo fontes do mercado, saiu a 235 dólares por tonelada (base FOB). Mas somando-se a esse valor a tarifa de importação, mais o imposto de Marinha Mercante, o produto norte-americano posto no porto brasileiro deve ter custado 15 dólares a mais do que custaria o cereal argentino --as cotações na Argentina estão apenas nominais, pois não há oferta.


Em uma nota divulgada recentemente, a Abitrigo reforçou o pedido de redução da TEC. "Pedimos a isenção desse imposto para o período de julho, agosto e setembro... Sem a isenção temporária... o aumento (no preço da farinha) será significativo, e os panificadores que até agora têm absorvido o aumento de preço da farinha, serão obrigados a atualizar suas margens", informou a associação.