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REUNIÃO DE CÚPULA DO MERCOSUL
RIO DE JANEIRO, 18 E 19 DE JANEIRO DE 2007
AMORIM DIZ QUE OMERCOSUL ESTÁ CADA VEZ MAIS FORTE
Estado – 18/01/2007
RIO - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não vê conflitos, crises nem debilidade no Mercosul. Alheio aos dilemas enfrentados pelo bloco econômico, o chanceler brasileiro insistiu em entrevistas na quarta-feira, no hotel, e nesta quinta ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que o Mercosul é uma "realidade política inevitável" e "essencial" para todos os seus sócios.
Com relação à entrada da Venezuela no Mercosul, e das desconfianças de analistas em relação às influências de Hugo Chávez dentro do bloco, Amorim disse que "não se faz política com medo". "Política se faz com visão, com sentido de realismo", afirmou.
"Eu não vou fazer juízo de valor sobre todos os aspectos do governo Hugo Chávez. Isso não me cabe. Agora, qualquer que seja o ponto de vista, uma coisa é certa: o engajamento é sempre melhor que o isolamento. Nós temos exemplos de políticas de isolamento, que deram totalmente errado", ponderou. "Confiando nas instituições do Brasil, eu acho que é mais fácil o Brasil influenciar a Venezuela do que vice-versa".
Amorim defendeu ainda que na negociação do possível ingresso da Bolívia, esse país deve receber um tratamento diferenciado dos demais sócios do Mercosul.
"Na realidade, o Mercosul está cada vez mais forte, está cada vez mais importante no mundo", argumentou o ministro, em entrevista concedida na quarta à noite na porta do hotel onde ocorrerá a 32ª Reunião de Cúpula do Mercosul, nesta quinta e sexta-feira , na praia de Copacabana. "O Brasil pode negociar sozinho (um acordo comercial) com a China. Mas, junto com o Mercosul, terá mais força. Essa lógica vale para os outros sócios", defendeu.
Para Amorim, a Cúpula do Rio será um dos mais importantes encontros da história do Mercosul e uma demonstração da "vitalidade" do bloco. A rigor, o chanceler não poderia dar declarações diferentes, levando-se em conta que o Brasil preside o bloco desde julho passado e que a aposta na ampliação da dimensão política do Mercosul está entre as prioridades do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro, entretanto, insistiu na receita da generosidade entre os sócios, que "devem agir com grandeza" e "deixar de criar dificuldades para ganhar mais adiante".
O ministro reagiu às críticas de que o bloco possa limitar o Brasil nos acordos comerciais com outros países. "O Mercosul não é um projeto só economicista. Nós temos um interesse geopolítico na estabilidade da América do Sul. O Brasil tem que ter relações fortes com seus vizinhos, 10 vizinhos na América do Sul. Por isso é que tratamos o Mercosul não exclusivamente sob o ângulo comercial, mas também sob um ângulo político. Eu acho que se nós não entendermos, não virmos o Mercosul sob esse ângulo, não vamos entender nada", disse.
BRASIL VÊ COM CAUTELA CRIAÇÃO DO BANCO DO SUL
Reuters – 18/01/2006
RIO - Representantes do governo brasileiro reagiram nesta quinta-feira com cautela à proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de criação de um Banco do Sul. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou o projeto venezuelano como "interessante", porque aumentaria o volume de financiamento para projetos de integração, no entanto o considera uma medida mais de longo prazo.
"Não é fácil de ser posta em prática, porque tem que se criar toda uma estrutura e depois colocar um corpo de funcionários", disse o ministro a jornalistas no saguão do Hotel Copacabana Palace, pouco antes da reunião de chanceleres e ministros da Fazenda do Mercosul.
Mantega defendeu o aproveitamento de bancos já estruturados. "A proposta que temos é de, num primeiro momento, fortalecermos uma atuação conjunta do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o Banco de la Nación Argentina e o Banco da Venezuela", disse.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, seguiu a mesma linha de raciocínio de Mantega e disse que ficaria mais feliz se os organismos atuais pudessem atuar de forma mais agressiva no âmbito regional. "O BNDES e a CAF (Comissão Andina de Fomento), em reunião na quarta-feira, chegaram a um acordo em relação ao aumento de capital da CAF com recursos do banco (BNDES)", disse Furlan. De acordo com o ministro, esse aporte é de 200 milhões de dólares
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